Não gosto mais da minha profissão. E agora?

No ensino médio, tive um professor de Física que era engenheiro civil. Eu adorava a matéria e o professor era fantástico. Depois da aula, nós sempre conversávamos sobre a carreira dele, a faculdade, os projetos em que havia trabalhado… Aos poucos, fui associando a Física, aquele professor de quem eu gostava e um assunto que eu havia aprendido a admirar àquilo que eu poderia fazer no futuro.

No segundo ano, fiz o famoso teste vocacional. Lá estava ela: Engenharia Civil ou Física.

Na mesma época, minha mãe começou uma reforma em casa e eu decidi ajudar os trabalhadores. Carregava tijolos, ajudava a dobrar os ferros das “colunas”, recebia os materiais e indicava onde guardar. Até ajudei o eletricista a passar os fios pelas paredes.

Naquela altura, eu já era uma miniempreiteira. rsrs

No terceiro ano, fiz o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e me candidatei, pelo Prouni, a uma vaga para cotistas de baixa renda no curso de Engenharia Civil.

Fiquei em 12º lugar e eram apenas cinco vagas.

Um por um, os candidatos que estavam à minha frente foram reprovados na fase documental ou desistiram. Até que chegou a minha vez.

Entrei no curso bastante atrasada, mas lá estava eu, finalmente, fazendo aquilo que havia sonhado por tanto tempo.

Eu amava a faculdade. Gostava das aulas, de estudar, dos assuntos e daquela sensação de estar construindo, pouco a pouco, a profissão que teria pelo resto da vida. Comecei um estágio já no segundo período e me dediquei muito à minha formação.

Tive uma trajetória interessante — e, felizmente, ela ainda não terminou.

Trabalhei na construção de prédios, na reforma do aeroporto da minha cidade, fui gestora, perita judicial e hoje trabalho com orçamentos em Portugal.

Mas, quando olho para trás, percebo uma coisa que durante muito tempo não quis admitir: aos poucos, o brilho da Engenharia foi desaparecendo dos meus olhos.

Quase dez anos nessa profissão me ensinaram muito. Aprendi a resolver problemas, lidar com pessoas, trabalhar sob pressão, assumir responsabilidades e continuar mesmo quando as coisas não saíam como planejado.

Só que existe uma diferença entre aprender a enfrentar dificuldades e escolher, conscientemente, uma vida difícil.

E acho que foi aí que eu errei.

Passei boa parte da vida vivendo no modo difícil. Quando chegou o momento de escolher uma profissão, talvez eu não tenha olhado de verdade para os meus interesses. Escolhi aquilo que parecia fazer sentido naquele momento e segui em frente.

Só que, com o passar dos anos, comecei a perceber que havia uma parte de mim que tinha ficado para trás.

Recentemente, vi um Reels que dizia: “No fim, tudo te leva aos seus interesses infantis”.

Aquilo ficou na minha cabeça.

Quando eu era criança, gostava de artes, de desenhos bonitos e inspiradores, de histórias e de escrever. Eu fazia livrinhos infantis, escrevia poemas e até conselhos para os meus pais que não tinha coragem de dizer pessoalmente. Então escrevia e deixava embaixo da porta do quarto deles. rsrs

É curioso perceber que algumas coisas que fazemos quando crianças não desaparecem. Às vezes, apenas aprendemos a escondê-las.

Eu sempre tive um lado criativo e sensível que acabei deixando de lado. Talvez porque, em algum momento, tenha acreditado que crescer significava abandonar essas coisas e escolher um caminho mais “sério”.

Hoje penso diferente.

Este blog é uma das formas que encontrei de me reconectar com essa parte de mim. Comecei também a produzir vídeos sobre o catolicismo no YouTube, no canal Salve Católica, e descobri uma alegria que há muito tempo não sentia no meu trabalho.

Passo horas escrevendo, pensando em novos conteúdos, aprendendo a melhorar o blog, estudando para o YouTube e conhecendo cada vez mais o universo do marketing digital.

E o contraste com o meu trabalho atual é difícil de ignorar.

Passo o dia contando as horas para ir embora e chegar em casa para fazer aquilo que realmente me interessa.

Mas não quero transformar este texto em uma reclamação sobre o meu trabalho. Ele fez parte da minha história, me trouxe até Portugal e me ensinou coisas que certamente vou levar para os próximos capítulos.

O que mudou foi o que eu quero para o futuro.

Eu quero construir uma vida em que o meu trabalho também tenha espaço para aquilo que amo.

Por isso, não pretendo simplesmente abandonar tudo. Quero construir a minha saída com calma e responsabilidade, enquanto desenvolvo os meus negócios digitais: este blog, o YouTube e o marketing digital.

Ainda não sei exatamente onde isso vai me levar.

Mas, pela primeira vez em muito tempo, sinto que estou caminhando em uma direção que combina comigo.

E talvez você esteja vivendo algo parecido.

Se você não gosta mais da profissão que escolheu, não precisa ter todas as respostas hoje. Comece olhando para os seus interesses. Relembre aquilo que despertava sua curiosidade antes de você começar a pensar apenas em dinheiro, estabilidade ou no que esperavam de você.

Experimente. Estude. Crie alguma coisa. Comece pequeno.

E, se possível, não saia simplesmente correndo de uma profissão que você não ama. Construa uma ponte entre a vida que você tem e a vida que deseja ter.

Os anos que você passou em uma profissão não foram necessariamente um desperdício. Eles podem ter desenvolvido habilidades que serão úteis justamente naquilo que você fará daqui para frente.

Eu ainda estou construindo essa ponte.

E quero compartilhar esse caminho por aqui.

Você também sente que não gosta mais da profissão que escolheu?

Conte nos comentários: qual era o seu sonho de infância e que parte dele ainda vive em você?

Salve Católica!

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