O que ninguém me contou sobre engravidar depois de uma perda
Eu achei que, quando engravidasse novamente, sentiria apenas alegria. Depois de tudo o que aconteceu na minha primeira gravidez, eu imaginava que receber um novo positivo seria como finalmente poder respirar aliviada. Como se aquele segundo teste de gravidez viesse acompanhado de uma certeza: dessa vez vai dar certo. Mas não foi exatamente assim. Eu estou feliz. Muito feliz. Mas também estou com medo.
E talvez essa seja uma das coisas que ninguém me contou sobre engravidar depois de uma perda: a gente não começa uma nova gravidez do zero. A gente começa levando conosco tudo aquilo que viveu antes. Eu já sei que uma gravidez pode não terminar com um bebê nos braços. Já sei que podemos descobrir que existe uma vida crescendo dentro de nós e, ainda assim, perdê-la. Já sei que podemos fazer planos, imaginar nomes, pensar no futuro e, de repente, precisar voltar para casa sem aquele filho que já começávamos a amar. E saber disso mudou completamente a maneira como estou vivendo esta gravidez.
Hoje, cada ida ao banheiro é acompanhada por uma pequena verificação. Eu olho para o papel higiênico e procuro sangue. Às vezes, mesmo antes de olhar, já sinto aquele pensamento aparecer: e se tiver sangue? Quando não tem, eu respiro aliviada, mas parece que essa tranquilidade dura pouco. Sinto uma cólica leve e imediatamente penso: será que está acontecendo alguma coisa? Se meus seios estão doloridos, eu aperto para conferir se ainda estão. Se parecem menos sensíveis, começo a pensar se isso significa alguma coisa. Se estou com algum sintoma, fico preocupada; se não estou sentindo nada, também fico preocupada. É quase como se eu estivesse constantemente procurando alguma evidência de que está tudo bem e, ao mesmo tempo, procurando alguma evidência de que alguma coisa deu errado.
É cansativo. E talvez até pareça um pouco absurdo quando colocado em palavras, mas é exatamente assim que tenho me sentido. Eu não sabia que uma perda poderia ensinar tanto sobre o medo. Antes, quando alguém me dizia que estava grávida, eu pensava na alegria. Pensava no bebê, no quarto, nas roupinhas, no parto, no futuro. Agora, quando penso na minha própria gravidez, existe uma pergunta que aparece antes de todas essas outras: será que ele vai continuar aqui?
Eu queria conseguir simplesmente aproveitar. Queria acordar todos os dias pensando que estou grávida e seguir a minha vida normalmente. Queria não analisar cada cólica, não verificar o papel higiênico, não apertar os meus seios para descobrir se continuam doloridos e não pensar em aborto toda vez que sinto alguma coisa diferente. Mas eu já vivi uma perda. E talvez seja justamente isso que torne tão difícil simplesmente confiar. Na primeira gravidez, eu ainda não sabia que poderia perder. Agora eu sei.
E existe uma diferença enorme entre ouvir que um aborto espontâneo pode acontecer e descobrir isso na própria pele. É como atravessar uma porta que você nunca mais consegue fechar completamente. A inocência da primeira gravidez não volta. Antes, eu podia imaginar que tudo terminaria bem sem precisar pensar muito sobre a possibilidade contrária. Agora, eu sei que existem histórias que começam com um teste positivo e não terminam como esperamos. E essa consciência acompanha cada novo passo desta gravidez.
Por isso, esta gravidez tem sido uma mistura muito estranha de sentimentos. Eu quero comemorar, mas tenho medo de comemorar demais. Quero fazer planos, mas penso que talvez seja cedo. Quero contar para as pessoas, mas uma parte de mim pensa: e se alguma coisa acontecer? Quero comprar alguma coisa para o bebê, mas também penso que talvez seja melhor esperar. Até para me permitir ficar feliz existe uma pequena resistência, como se eu precisasse economizar a alegria para me proteger de uma possível tristeza.
Mas estou começando a perceber uma coisa: ter medo de perder novamente não significa que eu não esteja feliz por estar grávida. As duas coisas podem existir ao mesmo tempo. Eu posso agradecer a Deus por esta nova vida e ainda assim estar insegura. Posso desejar profundamente que este bebê nasça e, ao mesmo tempo, ter medo de me apegar demais. Posso estar esperançosa e assustada. Posso ter fé e continuar sentindo medo.
A fé, afinal, não é uma garantia de que nada de ruim acontecerá conosco. Talvez seja justamente confiar mesmo sem ter todas as garantias que gostaríamos de ter. E essa tem sido uma das partes mais difíceis para mim. Eu gostaria de ter uma confirmação todos os dias de que está tudo bem. Gostaria de poder olhar para dentro da barriga e saber que o bebê está crescendo, que o coração está batendo, que tudo está acontecendo como deveria. Mas eu não posso. Neste momento, preciso esperar pela próxima consulta, pela próxima ecografia, pelo próximo momento em que poderei ver que a gravidez continua evoluindo.
E, entre uma confirmação e outra, preciso aprender a viver com aquilo que não posso controlar. Talvez essa seja uma das primeiras lições que a maternidade já está me ensinando: eu não vou conseguir controlar tudo. Não vou conseguir controlar cada sintoma. Não vou conseguir impedir todas as coisas ruins. Não vou conseguir garantir que tudo acontecerá exatamente como imagino. E isso assusta.
Mas também existe algo bonito nisso. Talvez ser mãe comece justamente quando percebemos que aquela vida que tanto amamos nunca esteve completamente sob o nosso controle. Eu posso cuidar de mim, fazer o pré-natal, seguir as orientações médicas, me alimentar bem, descansar, prestar atenção ao meu corpo e fazer tudo aquilo que está ao meu alcance. Posso me preparar. Posso rezar. Mas não posso controlar o futuro. E preciso aprender a entregar aquilo que não está nas minhas mãos.
Isso não significa que o medo desapareceu. Ele ainda está aqui e provavelmente aparecerá novamente amanhã, quando eu sentir uma cólica ou quando for ao banheiro. Talvez volte quando eu perceber alguma mudança nos meus sintomas. Talvez apareça até mesmo quando estiver tudo perfeitamente bem. Mas quero aprender a não deixar que o medo roube completamente a alegria daquilo que estou vivendo agora. Porque hoje eu estou grávida. Hoje existe uma nova vida crescendo dentro de mim. Hoje eu posso agradecer. Hoje eu posso rezar por esse bebê. Hoje eu posso amá-lo.
Eu não sei como será esta gravidez. Não sei o que os próximos meses me reservam e, sinceramente, eu gostaria muito de poder saber. Gostaria de ter alguma garantia de que desta vez o final será diferente. Mas não tenho. O que tenho é este momento, esta gravidez, este bebê e a oportunidade de viver cada dia que me foi dado.
Por isso, estou tentando trocar a pergunta “e se acontecer de novo?” por uma outra:
“E se desta vez der certo?”
Ainda tenho medo. Mas também tenho esperança.
E, por enquanto, vou escolher viver as duas coisas.

